Advertência

Falar do amor das mulheres pelos tolos, não é arriscar ter por inimigas a maioria de um e outro sexo? 

Exalto os tolos sem rancor, e se critico os homens de espírito, é com um desinteresse, cuja extensão facilmente se compreenderá.

I

Alguns emitiram como axioma, que o que determinava as mulhe­res, neste ponto, não era, nem a razão, nem o amor, nem mesmo o capricho; que se um homem lhes agradava, era por se ter apre­sentado primeiro que os outros, e que sendo este substituído por outro, não tinha esse outro senão o mérito de ter chegado antes doterceiro. 

Permaneceu por muito tempo este sistema irreverente.

Hoje, graças a Deus, a verdade se descobriu: veio a saber-se que as mulheres escolhem com pleno conhecimento do que fazem. Com­param, examinam, pesam, e só se decidem por um, depois de veri­ficar nele a preciosa qualidade que procuram.

Essa qualidade é… a toleima!

II

Desde a mais remota antiguidade, sempre as mulheres tiveram a sua queda para os tolos.

Por menos observador e menos experiente que seja, qualquer pes­soa reconhece que a toleima é quase sempre um penhor de triunfo. Desgraçadamente ninguém pode por sua própria vontade gozar das vantagens da toleima. A toleima é mais do que uma superioridade ordinária: é um dom, é uma graça, é um selo divino. 

"O tolo não se faz, nasce feito." 

Todavia, como o espírito e como o gênio, a toleima natural forti­fica-se e estende-se pelo uso que se faz dela. É estacionária no pobre-­diabo, que raramente pode aplicá-la; mas toma proporções desmar­cadas nos homens a quem a fortuna, ou a posição social cedo leva à prática do mundo. Este concurso da toleima inata e da toleima adquirida é que produz a mais temível espécie de tolos, os tolos que o acadêmico Trublet chamou “tolos completos, tolos integrais, tolos no apogeu da toleima.” 

O tolo é abençoado do céu pelo fato de ser tolo, e é pelo fato de ser tolo, que lhe vem a certeza, de que, qualquer carreira que tome, há de chegar felizmente ao termo. Nunca solicita empregos, aceita­-os em virtude do direito que lhe é próprio: Nominor leo. Ignora o que é ser corrido ou desdenhado; onde quer que chegue, é feste­jado como um conviva que se espera. 

O que opor-lhe como obstáculo? É tão enérgico no choque, tão igual nos esforços e tão seguro no resultado! É rocha despegada, que rola, corre, salta e avança caminho por si, precipitada pela sua própria massa. 

Sorri-lhe a fortuna particularmente ao pé das mulheres. Mulher alguma resistiu nunca a um tolo. Nenhum homem de espírito teve ainda impunemente um parvo como rival. Por quê?… Há necessi­dade de perguntar por quê? Em questão de amor, o paralelo a esta­belecer entre o tolo e o homem de siso, não é para confusão do último?

III

 O tolo, porém, não tem desses escrúpulos. A intrépida opinião que ele tem de si próprio, o reveste de sangue frio e segurança.

Satisfeito de si, nada lhe paralisa a audácia. Mostra a todos que a ama, e solicita com instância provas de amor. Para fazer-se notar daquela que ama, importuna-a, acompanha-a nas ruas, vigia-a nas igrejas e espia-a nos espetáculos. Arma-lhe laços grosseiros. À mesa, oferece-lhe uma fruta para comerem ambos, ou passa-lhe misterio­samente, com muito jeito, um bilhete de amores. Aperta-lhe a mão a dançar e saca-lhe o ramalhete de flores no fim do baile. Numa noite de partida, diz-lhe dez vezes ao ouvido: “Como é bela!”, por­quanto revela-lhe o instinto, que pela adulação é que se alcançam as mulheres, bem como se as perde, tal como acontece com os reis. De resto, como nos tolos tudo é superficial e exterior, não é o amor um acontecimento que lhes mude a vida: continuam como antes a dissipá-la nos jogos, nos salões e nos passeios.

IV

O amor, disse alguém, é uma jornada, cujo ponto de partida é o sentimento, e cujo termo inevitável a sensação. Se é isto verdade, o que há a fazer, é embelecer a estrada e chegar o mais tarde possível ao fim. Ora, quem melhor do que o homem de espírito sabe parolar à beira do caminho, parar c colher flores, sentar-se às sombras frescas, recitar aventuras e procurar desvios e delongas? Um caracol de cabelos mal arranjado, um cumprimento menos apressado que de costume, um som de voz discordante, uma palavra mal escolhida, tudo lhe é pretexto para demorar os passos e prolongar os prazeres da viagem. Mas quantas mulheres apreciam esses castos manejos, e compreendem o encanto dessas paradas à borda de uma veia lím­pida que reflete o céu? Elas querem amor, qualquer que seja a sua natureza, e o que o tolo lhes oferece é-lhes bastante, por mais insípido que seja.

V

O homem de espírito, quando chega a fazer-se amar, não goza de uma felicidade completa. Atemorizado com a sua ventura, trata antes de saber por que é feliz! Pergunta por que e como é amado; se, para uma amante, é ele uma necessidade, ou um passatempo; se ela cedeu a um amor invencível; enfim, se é ele amado por si mesmo. Cria ele próprio e com engenho as suas mágoas e cuidados; é como o Sibarita que, deitado em um leito de flores, sentia-se incomodado pela dobra de uma folha de rosa. Num olhar, numa palavra, num gesto, acha ele mil nuanças imperceptíveis, desde que se trata de interpretá-las contra si. Esquece os encômios que levemente o tocam, para lembrar-se somente de uma observação feita ao menor dos seus defeitos e que bastante o tortura. Mas, em compensação desses tormentos, há no seu amor tanto encanto e delícias! Como estuda, como extrai, como saboreia as volúpias mais fugitivas até a última essência! Como a sua sensibilidade especial sabe descobrir o encanto das criancices frívolas, dos invisíveis atrativos, dos nadas adoráveis!

O tolo é um amante sempre contente e tranqüilo. Tem tão robusta confiança nos seus predicados, que antes de ter provas, já mostra a certeza de ser amado. E assim deve ser. Em sua opinião faz uma grande honra à mulher a quem dedica os seus eflúvios. Não lhe deve felicidade; ele é que lha dá; e como tudo o leva a exagerar o benefício, não lhe vem à idéia de que se possa ter para com ele ingratidões. Assim, no meio das alegrias do amor, saboreia ainda a embriaguez da fatuidade. Mas como, em definitivo, é ele próprio o objeto de seu culto, depressa o tolo se aborrece, e como o amor para ele não é mais que um entretenimento que passa, os últimos favores, longe de o engrandecerem mais, desligam-no pela sociedade.

 VI

O homem de espírito vê no amor um grande e sério negócio, ocupa-se dele como do mais grave interesse de sua vida, sem distração, nem reserva. Pode perder nele algumas das suas qualidades viris, mas é para crescer em abnegação, em dedicação, em bondade. Suporta tudo daquela que ama sem nada exigir dela. Quando ela atende a alguns dos seus votos, quando previne alguns dos seus desejos, longe de ensoberbecer-se, agradece com uma efusão mes­clada de surpresa. Perdoa-lhe generosamente todos os males que lhe causa porque, muito orgulhoso para enraivecer-se ou lastimar-se, não sabe provocar, nem a piedade que enternece, nem o medo que faz calar. Oh! que inferno, se a má ventura lhe depara uma mulher bela e má, uma namoradeira fria de sentidos, ou uma moça de ra­bugice precoce!

Sofre então vivamente com a perfídia da mulher amada, mas des­culpa-a pela fragilidade do sexo. A sua indulgência pode então con­duzi-lo à degradação. Ele segue a olhos fechados o declive que o arrasta ao abismo, sem que a queixa, a ambição, a fortuna possam retê-lo.

 O néscio escapa a estes perigos. Como não é ele quem ama, é ele quem domina. Para vencer uma mulher finge por alguns momentos o excesso de desespero e de paixão; mas isso não passa de um meio de guerra, tática de cerco para enganar e seduzir o inimigo. Logo depois recobra ele a tirania, e não a abdica mais. Para entreter-se nisso, tem o tolo o seu método, as suas regras, a sua linha de con­duta. É indiscreto por princípio, porquanto divulgando os favores que recebe, compromete a que lhe concede e ao mesmo tempo afasta as rivalidades nascentes. É suscetível pela razão, cioso por cálculo, a fim de promover estes proveitosos amuos, que lhe servem, a seu grado, para conduzir a uma ruptura definitiva, ou para exigir um novo sacrifício. Mostra uma cruel indiferença, indicando pouca con­fiança nas provas de simpatia que lhe dão. Num baile, proibindo à sua amante de dançar, não faz caso dela, de propósito. Aflige-a com aparências de infidelidade, falta à hora marcada para se encon­trarem, ou, depois de se ter feito esperar, vem, dando desculpas equívocas de sua demora. Hábil em semear a inquietação e o susto, faz-se obedecer à força de ser tirano, e acaba por inspirar uma afeição sincera à força de promovê-la.

VII

Como bem se disse, sendo preciso um dia para conseguir, é preciso mil para se reconquistar.

Mesmo no momento em que volta a ser livre: quantas vezes um sorriso, um meneio de cabeça, uma maneira de puxar o vestido, ou de inclinar o chapelinho de sol, não o faz recair no seu antigo cati­veiro!

De resto, a mulher, a quem ele tiver revelado o segredo do seu coração, ficará sempre para ele como ser à parte. Não a esquece nunca.

 Morta, ou separado, nutre por aquela que a perdeu longas sau­dades. Perseguido pela lembrança que dela conserva, descobre mui­tas vezes que as outras mulheres por quem se apaixona só têm o mérito de se parecerem com ela. Dá-se ele então a comparações que o desvairam, que o irritam, que o põem fora de si, exigindo no seu trajar, no seu andar e até no seu falar alguma coisa que lhe recorde o seu implacável ideal. 

E se é ele o abandonado, que de torturas que sofre!

Viver sem ser amado parece-lhe intolerável. Nada pode consolá-lo ou distraí-lo.

No caso de tornar a ver os sítios que foram testemunhas da sua felicidade, evoca à sua memória mil circunstâncias perseverantes e cruéis. Ali está a cerca cheirosa, cujos espinhos rasgaram o véu da infiel; aqui, o rio que a medrosa só ousava atravessar amparada pela sua mão; além está a alameda, cuja areia fina parece ter ainda o molde de seus ligeiros passos. Contempla na janela as longas e alvas cortinas, no peitoril os arbustos em flor, na relva a mesa, o banco, as cadeiras em que outrora se sentaram.

É possível que ela tenha mudado tão de repente? Pois não foi ainda ontem que de volta de um passeio ao bosque, lhe enxugou o suor da testa, e que se prendia em doce e estranho amplexo?… 

Hoje, nem mais doçuras, nem mais apertos de mão, nem mais dessas horas ébrias em que todo o passado ficava esquecido! Ele está só, entregue a si mesmo, sem força, sem alvo: é o delírio do desespero.

O tolo está acima dessas misérias. Não o assusta um futuro prenhe de qualquer inquietação aflitiva. Sempre acobertado pela bandeira da inconstância, desfaz-se de uma amante sem luta, nem remorsos; utiliza uma traição para voar a novas aventuras. Para ele nada há de terrível em uma separação, porque nunca supõe que se possa colocar a vida numa vida alheia, e que fazendo-se um hábito dessa comunidade de existência, faz-se pouco novamente sofrer, quando ela tiver de quebrar-se. 

Da mulher, que deixa de amar, ele só conserva o nome, como o veterano conserva o nome de uma batalha para glorificar-se, ajun­tando-o ao número das suas campanhas.

VIII

Há uma época em que custa-se muito a amar. Tendo visto e estu­dado um pouco a mulher, adquire-se uma certa dureza que permite aproximar-se sem perigo das mais belas e sedutoras. Confessa-se sem rebuço a admiração que elas inspiram, mas é uma admiração de artista, um entusiasmo sem ternura. Além disso, ganha-se uma penetração cruel para ver, através de todos os artifícios de casquilha, o que vale a submissão que elas ostentam, a doçura que afetam, a ignorância que fingem. E prenda-se um homem nessas condições!

De ordinário, é entre trinta a trinta e cinco anos, que o coração do homem de espírito fecha-se assim à simpatia e começa a petri­ficar-se. É possível que nele tornem a aparecer os fogos da moci­dade, e que ele venha a sentir um amor tão puro, tão fervente, tão ingênuo como nos frescos anos da adolescência; longe de ter perdido as perturbações, as apreensões, os transportes da alma amorosa, sente-­os ele de novo com emoção mais profunda e dá-lhes um preço tanto mais elevado, quanto ele está certo de não os ver renascer. 

Oh! então lastima-se o pobre insensato! 

Esses sintomas de idade são desconhecidos ao tolo, porquanto cada dia que passa não lhe faz achar no amor um bem mais caro, ou mais difícil a conquistar. Não tendo sido, nem melhorado, nem en­durecido pelos reveses da vida, continuando a ver as mulheres com o mesmo olhar, exprime-lhes os seus amores com as mesmas lágrimas e os mesmos suspiros que lhes reserva para pintar os antigos tor­mentos. E como ele só exigiu sempre delas aparências de paixão, vem facilmente a persuadir-se que é amado. Longe de fugir, perse­vera e — triunfa.

IX

O homem de espírito é o menos hábil para escrever a uma mulher. 

Quando se arrisca a escrever uma carta, sente dificuldades incríveis. Desprezando o vasconço da galanteria, não sabe como se há de fazer entender. Quer ser reservado e parece frio; quer dizer o que espera e indica receio; confessa que nada tem para agradar, e é apa­nhado pela palavra. Comete o crime de não ser comum ou vulgar. São cartas decentes, quando as pedem estúpidas.

O tolo é fortíssimo em correspondência amorosa, e tem consciên­cia disso. Tem uma coleção de cartas prontas para todos os graus de paixão. Alega nelas em linguagem brusca o ardor de sua chama; a cada palavra repete: meu anjo, eu vos adoro. As suas fórmulas são enfáticas e chatas; nada que indique uma per­sonalidade. Efetivamente o estranho que ler as suas missivas, nada tem a dizer; na mocidade o pai da menina escrevia assim; a própria menina não esperava outra coisa. Todos estão satisfeitos, até os amigos. Que querem mais?

X 

Enfim, o homem de espírito, em vista do que é, inspira às mulhe­res uma secreta repulsa. Elas se admiram com o ver tímido, aca­nham-se com o ver delicado, humilham-se com vê-lo distinto.

 Mas o tolo não atrapalha, nem ofusca as mulheres. Eleva-se sem acanhamento nas conversas mais insulsas, palra e requebra-se como elas. Longe de se sentirem deslocadas na sua companhia, elas a procuram, porque brilham nela. Na persuasão de que ele não pensa melhor, nem contrário a elas, auxiliam o triste, quando a idéia lhe falta, suprem-lhe a indigência. Entre­gam-lhe assim os seus ouvidos, que é o caminho do seu coração, e um belo dia admiram-se de ter encontrado no amigo complacente um senhor imperioso!

XI

A conclu­são final é, que os tolos triunfam, e os homens de espírito falham, resultado importante e deplorável, nesta matéria sobretudo.

XII

Depois de ter indagado as causas da felicidade dos tolos, e da des­graça dos homens de espírito: perderemos tempo precioso em acusar as mulheres? Não hesitamos em deitar as culpas sobre os homens de espírito, como fez o profundo Champcenets.

Por que não estudam os tolos, diz-lhes este autor, para conseguir imitá-los? 

Porquanto, ficai sabendo, continua Champcenets, que as mulheres não são senhoras de si próprias; que nelas tudo é instinto ou tempe­ramento, e que portanto elas não podem ser culpadas de suas pre­ferências. 

Elas se apresentam belas, apetitosas e cegas: não vos basta isto? Querê-las com juízo, penetrantes e sensíveis, é não conhecê-las.

 Procurai as mulheres nas mulheres, admirai-lhes a figura elegante e flexível, afagai-lhes os cabelos, beijai-lhes as mãos mimosas; mas tomai como um brinquedo o seu desdém, aceitai os seus ultrajes sem azedume, e às suas cóleras mostrai indiferença. Para conquistar esses entes frágeis e ligeiros, é preciso atordoá-los pelo rumor dos vossos louvores, pelo fasto do vosso vestuário, pela publicidade das vossas homenagens.

 XIII

Sim, sim, é mister ousar tudo para com as mulheres.

(Machado de Assis - Queda que as mulheres têm para os tolos)



"O Amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias
Uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa, é besta”

(Gregório de Matos)


Extraído das conversas de Hitler com seu massagista:

Como é que o senhor pode sentir qualquer prazer em atirar sobre esses pobres animais que estão passando com tanta inocência, que estão ali na floresta sem nenhuma defesa e que ignoram o que os espera, Herr Kersten? Na verdade, é puro assassinato… A natureza é muito bela e os animais têm todo o direito de viver. É este modo de ver que eu tanto admiro em nossos ancestrais… Esse respeito pelos animais existe em todos os povos indo-germânicos. Outro dia eu soube, com o maior interesse, que ainda hoje os monges budistas não saem para passear na floresta sem um sininho de aviso aos pequenos animais em que poderiam pisar sem ver, para que saiam de seu caminho para não lhes fazerem mal. E pensar que entre nós ninguém hesita em pisar nas lesmas e que esmagamos os vermes!


"O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas […]”

(Carlos Drummond de Andrade)


you’re not small, you’re beautiful


Bart: I’m a pretty bad kid.Cartman: Really? What’s the worst thing you’ve ever done? Bart: I stole the head of a statue once.Cartman: Wow! That’s pretty hardcore. Jeez. That’s like this one time when I didn’t like a kid, so I ground his parents up into chilli and fed it to him! 

Bart: I’m a pretty bad kid.
Cartman: Really? What’s the worst thing you’ve ever done? 
Bart: I stole the head of a statue once.
Cartman: Wow! That’s pretty hardcore. Jeez. That’s like this one time when I didn’t like a kid, so I ground his parents up into chilli and fed it to him! 


"Here is the deepest secret nobody knows. Here is the root of the root and the bud of the bud and the sky of the sky of a tree called life; which grows higher than soul can hope or mind can hide. And this is the wonder that’s keeping the stars apart… I carry your heart, I carry it in my heart."

"Here is the deepest secret nobody knows. Here is the root of the root and the bud of the bud and the sky of the sky of a tree called life; which grows higher than soul can hope or mind can hide. And this is the wonder that’s keeping the stars apart… I carry your heart, I carry it in my heart."



A crise segundo Einstein

"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar ‘superado’. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um.  Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhe duro. Acabe de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la." [Albert Einstein]


A força do comprometimento

"Enquanto não estivermos comprometidos, haverá a hesitação, possibilidades de recuar e a sempre ineficácia. Em relação a todos os atos de iniciativa e de criação, existe uma verdade elementar, cuja ignorância mata inúmeros planos e ideias esplêndidas. No momento em que, definitivamente, nos comprometemos, a providência divina também se põe em movimento… Todos os tipos de coisas ocorrem para nos ajudar, que em outras circunstâncias nunca teriam ocorrido. Todo um fluir de acontecimentos surge a nosso favor como resultado da decisão, todas as formas imprevistas de coincidências, encontros e de ajuda material, que nenhum homem jamais poderia ter sonhado encontrar em seu caminho… Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar. A coragem mantém em si mesma a força e a magia." [Goethe]


"Eu lhe pergunto o que ele quer.

- Que minha mente entre de volta nos eixos. Mas tentar curar a própria mente amarrando os sapatos de acordo com um código de comunicação da época da escola… ligeiramente ajustado para se encaixar na situação atual… isso é loucura, o senhor não acha? E pessoas loucas devem procurar ajuda. Se ainda lhes resta alguma sanidade, e tento me convencer de que ainda me resta, elas sabem disso. Então cá estou eu. […]

Eu lhe digo que a maioria das pessoas que contam acredita que chegar a um certo total, o que chamamos de “número meta”, é necessário para sustentar a ordem. Para manter o mundo dentro dos eixos, por assim dizer. […]

- São três conjuntos - retoma ele, falando numa voz não exatamente firme. - Contar as coisas é o primeiro. É importante, mas não tanto quanto tocá-las. Tem algumas coisas que eu preciso tocar. Bocas de fogão, por exemplo. […]

Então contar é importante, digo eu, mas tocar é mais ainda. O que está acima de tocar?

- Organizar - diz ele, começando a tremer de repente, como um cachorro deixado ao relento numa chuva fria. […]

- O senhor já leu “The Great God Pan”, de Arthur Machen?

Eu balanço a cabeça.

- É o conto mais assustador já escrito - diz ele. - Nele, um dos personagens diz “a luxúria sempre prevalece”. Mas não é de luxúria que ele está falando. Ele está falando de compulsão.

Paxil? Talvez Prozac. Mas nenhum dos dois até eu começar a entender melhor esse paciente interessante.

N. traz seu “dever de casa” para noss próxima sessão, como não tive dúvidas de que faria. São muitas as coisas neste mundo que não são garantidas, e muitas as pessoas nas quais não se pode confiar, mas pacientes de TOC, a não ser que estejam morrendo, quase sempre fazem o que lhes é pedido. […]

Correndo os olhos por elas, tenho dificuldade em entender como ele consegue arranjar tempo para fazer qualquer outra coisa. No entanto, pacientes de TOC quase sempre encontram uma maneira. A ideia dos pássaros invisíveis me volta à cabeça; eu os vejo pousados sobre o corpo inteiro de N., arrancando sua carne em nacos sangrentos. […]

Um homem que está sendo bicado até a morte por pássaros não consegue se interessar pelos insultos ou mágoas do ano anterior, ou mesmo da semana interior; ele se preocupa com o hoje. E, Deus o ajude, com o futuro.”

(Stephen King - N.)